SOBRE MENTIRAS, 1 DE ABRIL E O DIA QUE NOSSO CORDÃO TOMOU A PAULISTA

(dedicado às Mães de Maio e às Mães do Rio) Texto: Thiago B. Mendonça Imagens: Luara Dê

“Os lírios do campo vão morrendo Vão morrendo O amor se desmanchando E o chão se embrutecendo”

Os lírios Candeia

  Eis que os lírios do campo iam morrendo. Até que um Cordão, como um vento, passou trazendo a primavera. Não, não vencemos a quimera, mas trouxemos um canto de um futuro que virá. Paulista de barões engravatados. Do poder. Caixão postal de uma cidade tão ruim. Que mata seus filhos, encarcera seu povo e faz do medo o seu grilhão. Limpamos com o sangue inocente de tuas chacinas a desfaçatez de suas límpidas calçadas. Levamos os baldes de sangue escondidos de teus massacres para a porta dos que pagam tantas mortes. Nossos hinos de guerra e libertação cantamos, com nosso incrível exército de negras/os, índias/os, sambistas, artistas, militantes e mães de tantos filhos mortos por nossos desgovernos e seus subordinados. Nosso pequeno exército cresce a cada dia silenciosamente, a cada mãe que chora seu filho levado por um militar, a cada corpo que tomba nas valas. A cada índio, a cada preto, a cada preso. A cada mentira a justificar tantas outras. A cada certeza a esconder tantos crimes. A cada mulher a menos, a cada gay a menos, a cada criança a menos. A cada vida a menos nós seremos mais. A cada terra usurpada avançaremos. A cada cabeça cortada lutaremos. A cada crime assombraremos seu sono. Os seus filhos ouvirão o nosso canto. A batucada que nos embala perturbará a sua paz. A batida de nossos tambores serão sentidos como um golpe. As nossas vozes ferirão os seus ouvidos. E ao nos ver os seus olhos sangrarão, como sangram os nossos corpos, de ontem e de hoje. Porque como nos ensina os poetas do Cordão, “a mão de tocar tambor, é a mão do trabalhador, é a mão de recomeçar”  

“Fevereiro não chegou Mas o cordão passou pra despertar As baianas plantando a flor Vêm num giro semeador Pro ponteiro do tempo andar

Porque a mão de tocar tambor É a mão do trabalhador É a mão de recomeçar”

 Levante do Tempo Renato Martins e Roberto Didio

(A primeira música apresentada para o Cordão de 2018)

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *