Sobre a sabotagem considerada como uma das Belas Artes

[Este texto foi distribuído anonimamente na França como um panfleto. Ele se refere à massiva onda de prisões anti-terroristas que aconteceram em Tarnac, França, em 11 de Novembro de 2008. Originalmente obtido em: http://theanarchistlibrary.org/library/anonymous-on-sabotage-considered-as-one-of-the-fine-arts. Traduzido do original em Francês por Eduardo Liron]

Vocês teriam de ser realmente cegos para não ver a sabotagem como uma arma clássica dos explorados. E vocês teriam de ter realmente uma memória curta para esquecer que, em toda guerra social, muitos revoltados não esperam necessariamente todo mundo se mexer para expressar sua cólera. Desde os motins de novembro de 2005 até aqueles da primavera de 2006, as ocupações de fábricas e sequestros de diretores nas numerosas sabotagens do movimento ferroviário de novembro de 2007, ficou claro para muitos que não é mendigando que nós conseguiremos acabar com uma situação de miséria e exploração.[1] Nesta sociedade carcerária, querem nos fazer crer, a golpes de tazer ou por cédulas de votação que nós vivemos no melhor dos mundos: a democracia de mercado. As guerras ou o envenenamento do planeta ao nome da grana vêm portanto nos recordar que o capitalismo é um sistema mortífero e que o Estado é um inimigo. Então é preciso brigar para destruir aqueles que nos destroem. Lutar individualmente e coletivamente onde estamos, para um mundo livre da exploração e da dominação. E não é nem em seus códigos penais, nem em sua moral que está aquilo que vai ditar o que nós temos que fazer, mas na raiva e na ética de cada um. No dia 11 de novembro, dez pessoas foram presas devido a uma nova operação do Ministério do Terror, acusadas de sabotar os cabos elétricos dos trens da SNCF no fim de semana passado. Os jornaliciais e os politicartas, chacais de todos matizes, correram imediatamente para denunciar um imaginário movimento “anarco-autônomo”, a “M.A.A.F”. Sob este mesmo pretexto de “associação criminosa com intenções terroristas”, três camaradas já foram encarcerados, cativos por mais de nove meses, acusados de tentar incendiar um veículo policial em Paris no 18º distrito, em maio de 2007, durante as explosões de cólera realizadas para saudar a última eleição presidencial. Em um tempo “de crise” onde o Estado rega os capitalistas aos bilhões, ele tenta uma vez mais isolar os “malvados revoltados” para melhor eliminá-los. Mas pouco importa se eles são culpados ou inocentes, deixemos estas categorias aos cadáveres togados e seus cafetões. Pois mesmo que a paixão pela liberdade não se feche nos partidos, o que a dominação receia é a multiplicação difusa e anônima destes ataques. Solidariedade contra o terrorismo de Estado, com os meios que cada um julgar adequados… Quebrando a rotina, 12 de novembro de 2008 [1] N.T.: Referindo-se respectivamente a diversas revoltas ocorridas na frança. Referência em Inglês, respectivamente: https://en.wikipedia.org/wiki/2005_French_riots, https://en.wikipedia.org/wiki/2006_youth_protests_in_France, e https://en.wikipedia.org/wiki/2007_Villiers-le-Bel_riots.

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

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