Prolegômenos a todo cinema futuro

[Primeiramente publicado por Guy Debord em Francês na revista Ion, em Abril de 1952. Traduzido por Eduardo Liron.]

O amor só é valioso em um período pré-revolucionário. Eu fiz este filme porque ele ainda estava em tempo de falar. Ele apressou em se levantar com a maior violência possível contra uma ordem ética que mais tarde será ultrapassada. Como eu não gosto de escrever, me falta prazer para criar uma obra que seja menos que eterna: meu filme permanecerá entre os mais importantes da história da reducional hipóstase do cinema por uma desregulação terrorista do discrepante. O cinzelar da fotografia e o Letrismo (elementos dados) são aqui contemplados como expressão em si da revolta. O cinzelar barra certos momentos do filme que são os olhos fechados sobre o excesso do desastre. A poesia letrista urra por um universo esmagado. O comentário é posto em questão por: A frase censurada, onde a supressão de palavras (cf. Appel pour la destruction de la prose théorique) denuncia as forças repressivas. As palavras soletradas, delineiam um deslocamento ainda mais total. A destruição continua com uma sobreposição de imagem e som com: A frase visual-sonora dilacerada, onde a fototografia invade expressão verbal. O diálogo escrito-falado, no qual as frases se inscrevem na tela, continuam sobre a banda sonora, e respondem-se uma à outra. Enfim, eu atinjo a morte do cinema discrepante pela relação de dois nonsenses (imagens e palavras perfeitamente insignificantes), relação que é uma superação do grito. Mas tudo isso pertence a uma época que termina, e que não me interessa mais. Os valores da criação de dispersam para um condicionamento do espectador, com aquilo que eu batizei de psicologia tridimensional, e o cinema nuclear de Marc,O. que começa uma nova amplitude. As artes futuras serão sublevações de situações, ou nada.     Guy Debord

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

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