PARA UM LEGADO DE DOR SEM EXPLENDOR

Somos da América Latina este continente visceral. De origem e gente. Que querem pobre, paupérrimo e repelente. Sempre atrasado correndo contra o vento, sem lenço e sem documento, como diz o poeta. Mas nós já estamos aprendendo, aprendendo com aqueles que vieram, nos dominaram, rapinaram, escravizaram, parasitaram e nada quiseram aprender aqui. Levaram, levaram e pouco deixaram como um legado aproveitável! Mas o maior dos legados está em nós mesmos, índios e negros. Mestiços, povo raçado, cuja racialidade chegou impregnar os processos de uma cultura mal administrada que quase chega a nos inviabilizar como povo, etnia e Nação em busca de uma autonomia. Ainda estamos amargando as marcas de uma colonização: terra de produção para os outros, sem o sentido poético de uma subjascência para uma outridade. De mitos, imaginação e lendas. E sem trair as oferendas, o que fizeram com Montezuma na dizimação de Astecas, Maias, Incas e do que mais aparecesse na frente de tanto interesse, espoliação e genocídio. Ainda somos esta América Latina. Mas sem medo do celular e do rancor Neoliberal. Que veio como o espoliador, o colonizador pensando que vai ficar, depois de dominar e começar a escravizar. Mas nossa resistência  é a mesma, visceral, de arcanos e teogonias. Não só deus é brasileiro, Homero também. E somos tantos que nos tornamos invencíveis sem a necessidade do absolutismo. Nas teogonias e outras manias menos sutis como as ideologias. Só não podemos ainda perder o sentido das utopias, esta terra inalcansável, é nossa força de ida e de retornos, quando o tempo piora e temos que voltar para melhorá-lo, contra rancores, discensões e outros estigmas, legados de uma cultura e de um passado que ainda parasitam entre nós. Na política, na Lei, no poder! E que o baixo clero vai aprendendo recusar. Via periferia, arte e cultura. Agora um processo reconhecido nos territórios e corpos exumados para o próprio aprender. Nossa sociedade está mais do que dividida. E não é para menos, porque a querem definida como colônia. Pelo rancor neoliberal. De senhores e servos. A condição de alguns lugares. Longe de nós. E próximo de nós. Com suas fortes teogonias enfraquecidas não conseguindo resistir. Grécia, diante da União Européia. E México, diante do poder de consenso Americano. Todos submetidos em suas autonomias. Com oferendas e traições. Com rancores e sem arcanos, o que os nossos soberanos querem para nós, um Brasil que começa a aprender e a ensinar como resistir para não cair na tentação das indulgências plenárias distribuídas a esmo em todas as esferas. Nós que não fazemos graça a esse legado vamos resistindo. Nossa força de origem é visceral. Índia e negra. Que o colonizador miscigenou mas não convenceu, invertendo racionalidade e recepção, com submissão. As mesmas de tantas guerras e tantas culturas mal assimiladas que vão disseminando interna e externamente. Não nos curvamos mais diante de espelhinhos e nem de celulares para os 80 bilhões de dólares de Bill Gates. E parece que nossa elite política e intelectual vivem o esplendor dessa maligna força. Todo patrimonialismo para este poder! Que domina e exorciza o Estado, como uma nossa ruína! E depois de transformado em mercado e patrimonializado vão nos devolvendo os pedaços envenenados. Conhecemos este remédio e este genocídio. Nossa cultura já nos fez tudo isso com o nosso ser miscigenado, receptivo e de boa índole. Inventam uma nova terra para nós, com uma floresta, e com cada macaco em seu galho! Se enganam. Sabemos de terra e de floresta. Sem a presença do deus Temer! Sem arcano e sem teogonia de tudo que é humano. Deus que não faz milagres mas sabe que a nossa construção e conjunção é na outridade. Por mais que esfregue as mãos, o seu milagre, entre nós, não acontecerá! Nem como poder de troca ou de uso. Pelos abusos!     SINDOVAL AGUIAR e LUIZ ROSEMBERG FILHO

Luiz Rosemberg Filho é cineasta, artista visual e ensaísta. Sempre contestador, realizou seus primeiros trabalhos em meados dos anos 60 e segue ativo com uma produção incessante que já conta com mais de 60 títulos, entre curtas, médias e longa-metragens, boa parte deles realizada em vídeo.

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