Os professores exigem negociações imediatas!

A greve dos professores estaduais de São Paulo encontra-se hoje sob um fogo cruzado. Se não podemos contar com a negociação imediata do Governador Alckmin, tampouco podemos contar com a pressão que deveria ser feita pelo sindicato dos professores (APEOESP) para que as negociações aconteçam.

Estamos em greve há pouco menos de um mês. Como todos sabem é este um período decisivo para a greve. Completo um mês de paralisação, nossos salários e nossa reposição de aulas estarão ameaçados e ainda não tivemos notícias de como andam as negociações.

Se por um lado é fato que o governo de São Paulo não reconheceu a legitimidade de nossa greve desde seu início, demonstrando desta forma que não tem pressa em atender nossas reivindicações, por outro lado, o sindicato se demonstrou incapaz de forçar as negociações e tirar a vitória para a greve dos professores.

Diante disso concluímos que ambos estão pouco preocupados com a nossa greve. Os interesses políticos, seja do governo (PSDB), seja do sindicato (PT), se sobrepõem a categoria dos professores e nós, que acreditamos verdadeiramente nos motivos e na necessidade de nossa greve, estamos mais uma vez a ver navios.

Em carta aberta no dia 18 de março, já denunciávamos a forma com que o sindicato ignorava as bases, decidindo de antemão os caminhos estratégicos mais confortáveis de acordo com seus interesses. Nesse contexto propusemos o boicote à assembleia do dia 20, marcada em mesmo local e horário de um ato da CUT.

O que acontece desde então não é nada além do que denunciamos. O sindicato não politiza esse espaço e, pelo contrário, o utiliza para um jogo de palanque de cartas marcadas, com data e hora pra acabar. A tentativa de golpe na votação do trajeto (dia 02 de abril) é o menor dos exemplos.

Isso nos parece evidente nas assembleias a que temos comparecido, no centro de São Paulo. Estamos lá massivamente, mais uma vez, não porque acreditamos no governo, nem porque acreditamos no sindicato, mas porque acreditamos na greve. É preciso deixar claro nossos objetivos, ao menos entre nós, já que nunca fomos sequer ouvidos nas assembleias.

A mentira da assembleia do nosso sindicato é nítida pelo controle de falas e pela centralização delas no caminhão onde só falam os diretores do sindicato. Raras são as vezes que nós somos escutados. Nós, professores trabalhadores, que estamos colocando em risco nossos empregos com a paralisação.

Essa condição nos traz uma pergunta: Quem faz a greve? Quem deve negociá-la? A resposta é clara e única. Os professores são quem fazem a greve. Os professores são quem devem negociá-la. São os professores e não o sindicato a voz e o comando dessa paralisação! O que ainda não ficou claro, mas precisa ficar.

Por isso, voltemos a falar do boicote. Quando convidamos os professores a boicotar a assembleia – o que não quer dizer abandoná-la – era no único sentido de empoderar a base para que ela mesma tomasse as rédeas da greve e para que não fosse simplesmente arrastada pelas táticas e interesses da direção do sindicato (que nem sempre são os mesmos da categoria!).

Ainda acreditamos que a auto-organização da categoria é possível e urgente, para sairmos vitoriosos da greve. É preciso quebrar a ideia de falsa unidade conclamada pelo sindicato. Não podemos nos abster das críticas ao governo nem ao sindicato, quando estes não nos representam.

Chamamos, então, todos os comandos regionais a organizar uma comissão de negociação que tenha duas funções: fortalecer a expressão política e as reivindicações da base e forçar o sindicato a adotar táticas mais combativas que respondam aos anseios da categoria.

Fazemos o chamado com as seguintes palavras de ordem:

COMISSÃO DE NEGOCIAÇÃO FORMADA PELA BASE!

POR UMA ASSEMBLEIA ONDE OS PROFESSORES TENHAM VOZ!

RETOMADA DA ASSEMBLEIA ENQUANTO FERRAMENTA DE LUTA DOS TRABALHADORES!

MENOS BUROCRACIA, MAIS COMBATE!

NEGOCIAÇÕES IMEDIATAS!

PELA CONTINUIDADE DA GREVE! ATÉ A VITÓRIA!

NÃO TEM ARREGO!

Assinam:

Joyce Nicioli – professora PEB I – Norte 2 Nathalia Colli – professora de Filosofia – Leste 4 Adriano Pires de Carvalho – professor de Filosofia – Norte 2 Rafael Castro – professor de Filosofia – Norte 2 Leonardo França – professor de Arte – Norte 2

Lincoln Péricles é diretor, fotógrafo, técnico de som, roteirista, montador e professor de cinema. Nasceu e mora no Capão Redondo. Também escreve poesia, faz uns vídeo doido, colagens bêbadas e tira fotos por ai.

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