O SENTIDO DE PERMANÊNCIA

(O NOSSO CINEMA ACOMPANHA A CULTURA DO PAÍS, QUANDO DEVERIA AJUDAR A FAZÊ-LA!)

O SENTIDO DE PERMANÊNCIA

Os movimentos para a liberdade possuem todos os sentidos. Do sim e do não, da afirmação e da negação, oposições e contradições, o fundamental é que o sentido de uma construção não se perca – a do humano, demais humano Nietzschiano! Condição implícita na concepção da nossa tragédia onde nada podemos descartar como presença, relacionamentos, permanência e muita atenç é só uma correspondência ao ão com respeito à violência como permanência, ideologia e suas absorções pela Democracia. O que sempre ocorreu entre nós no Brasil, país incapaz de mudanças, pela elite que construímos e que nos constrói numa conjugação de intransitividade, individualidade e de totalidade. Nossa tragédia não é só humana, é também desumana, animalesca, parestésica. O que está se tornando uma violência de todos nós e que podemos definir, até com requintes, nessas manifestações dos jovens numa extensão do grande movimento de junho de 2013, a de grandeza e riqueza incomparáveis por todas as circunstâncias, a espontaneidade e a ausência da mídia e pelo sentido da surpresa, quando nada se espera deste país. Como uma surpresa que nos parecia de esperança! Mas a nossa violência é atávica, de pernas e braços longos e truculentos, além das esperanças, dos sonhos e das utopias. Maldição que só a arte pode superar pela subjetividade que não podemos homogeneizar, infelizmente. Estes jovens, agora, condenados e aprisionados em presídios de segurança máxima, representam isso, uma subjetividade submetida a uma realidade que esmaga, condena e aprisiona para exterminar. O foco de todas as ações policiais no Brasil é o extermínio, o que o nosso processo democrático permitiu como construção econômica, política e social, em todos os sentidos. De Partidos e não partidos, de toda a sociedade direta e indiretamente, comprometida. E o único eco que ouvimos é o do mídia comprometida. Fiel como construção e conjugação da cultura com tudo o que reveste e submete. E se há violência na manifestação destes jovens que sofreram a vida inteira, a dos velhos pela impotência, omissão e leniência, esta obediência a uma cultura medieval e banal de nossa formação. Cultura da adoção e do crime, de prisões e mortes como uma acomodação, sem um incomodar na servidão, acumulação e excedências. Democráticas, Jurídicas e de Capital bem conjugadas. E assim vamos fazendo a cidade e o campo do capital, expandindo periferias para e como mais exploração, violência e lucro; crescimentos. Ornamentos. Solução. Sem qualquer alteração como uma mudança necessária e profunda como construção e civilização. Evoluímos do colonialismo ao neo-colonialismo e os princípios convincentes e correspondentes para isso estão todos aí. Socialdemocracia, neoliberalismo, globalização, tecnologia e haja ciência e invenções, para acumulação, excedências e convencimentos; todos de centros e de pontas, como vimos nas eleições e nas privatizações para onde tudo tem convergido, esquerda e direita. Somos mesmo um exemplo para o mundo, onde o marxismo vai sofrendo seus dramáticos experimentos no poder e fora dele, este último como ética, resistência e utopia. As subjetividades de alguma arte sobrevivente em meio a essa barafunda tecnológica de celulares e páginas de internet, em que somos todos amigos para falar e entreter que o tempo é dinheiro… trabalhando em casa e sem incômodo aos padrões superados do trabalhismo já no centro de poder e instrumento com Fundos de Pensões bem aplicados econômica e socialmente endereçados. E bem alinhados como as casas de Maiame. E o cinema? Há muito foi e vai para o mesmo caminho. Com todos caminhando juntos. Nos festivais e no Canais, tudo o que a TV vê e midiatiza, como os seres importantes nas telas delas e nos festivais, deles também. Do não cinema porque o cinema que tivemos teve que depender de cotas para ser exibido em nossas telas. Cotas extintas pelo processo de permanência do que agiganta este Brasil sem o sonho que sonhamos e que a arte subjetiva como sobrevivência e nossa existência. A mesma dessa juventude coroada de violência e de toda expressão do que ainda somos.

SINDOVAL AGUIAR & LUIZ ROSEMBERG FILHO

Luiz Rosemberg Filho é cineasta, artista visual e ensaísta. Sempre contestador, realizou seus primeiros trabalhos em meados dos anos 60 e segue ativo com uma produção incessante que já conta com mais de 60 títulos, entre curtas, médias e longa-metragens, boa parte deles realizada em vídeo.

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