O QUE É A PORNO-MISÉRIA?

[Originalmente publicado em espanhol por Luis Ospina e Carlos Mayolo em 1978. Traduzido por Eduardo Liron] https:// O cinema independente colombiano teve duas origens. Uma que buscava interpretar ou analisar a realidade e outra que descobrida dentro desta realidade elementos antropológicos e culturais para transforma-la. No início dos anos 70, com a lei de apoio ao cinema, apareceu certo tipo de documentário que copiava superficialmente as conquistas e os métodos deste cinema independente até deformá-los. Assim, a miséria se converteu em tema impactante e, portanto, mercadoria. Facilmente vendível, especialmente no exterior, onde a miséria é a contrapartida da opulência dos consumidores. Se a miséria havia servido ao cinema independente como elemento de denuncia e análise, o afã mercantilista a converteu em válvula de escape do próprio sistema que a gerou. Este afã de lucro não permitiu um metodo que descubriria um novas premissas para a análise da pobreza, mas, pelo contrário, criou esquemas demagógicos até converter-se em um gênero que poderíamos chamar de mizerabilista ou porno-mizéria. Estas deformações estavam conduzindo o cinema colombiano por uma via perigosa pois a mizéria estava se apresentando como um espetáculo onde o espectador poderia lavar sua má consciência, comover-se e tranquilizar-se. Fizemos AGARRANDO PUEBLO como uma espécie de antídoto ou banho maiacovskiano para abri os olhos das pessoas sobre a exploração que está por trás do cinema mizerabilista, que converte o ser humano em objeto, em instrumento de um discurso alheio a sua própria condição.

Luis Ospina e Carlos Mayolo

1978

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *