“O BRASIL QUE NÃO SABE O QUE É O BRASIL”

“De linguagem/ Som signo imagem / Cores / Que dizem sem pudores / Arco Iris /Palavras e coisas / Armadilha e relojoaria / Pelos tempos que fabrica / Relógio que atrasa / E relógio que adianta / Tempos / De um constante recolher / E esperar / A banda passar. “  

 SINDOVAL AGUIAR

Liberdade, igualdade e fraternidade. Princípios desenvolvidos em signos e símbolos. Palavras que desde a Revolução Francesa foram trabalhadas como o mais perfeito e convincente espetáculo de representações pela concepção burguesa de poder, comunicação e linguagem. Uma oportuna e boa referência para nós de um Brasil que ainda não conhece o Brasil. Do impitiman de Dilma e o silêncio do PT. E de tudo que continuamos não sabendo e festejando. Só ainda não somos parecidos com o México, aquele que Octavio Paz conheceu bem: “Não há nada mais alegre que uma festa mexicana, mas também não há nada mais triste. A noite de festa é também noite de luto”.

Desde a Revolução Francesa, a burguesia nascente e consciente já assumia o seu papel pondo em polvorosa a própria revolução que fazia, em espetáculo e representações: signos símbolos, ordem e terror. E se preparou para fazer deste seu momento – retornos! E que retornos. Fantásticos e midiáticos, numa consolidação do poder! E tudo através do Capital a concentrar e expandir. Até o infinito com a mãozinha religiosa do protestantismo via Marx Weber, inclusive buscando ir além de um certo Manuscrito Econômico Filosófico de alguém que, já criança desequilibrava todo o pensamento do tempo.

O Brasil que não conhece o Brasil, precisa pelo menos, conhecer um pouco essa atenta, tinhosa e nossa burguesia. A que sabe marcar o seu tempo A FERRO E FOGO!Como se boi. O escravo. O capital! Que soube derrubar o feudalismo, apossar-se das terras e trazer todo o baixo clero feudal para uma mão de obra intimidada e crente pelo fetichismo do dinheiro e do progresso para as mazelas da cidade. De produção, consumo e miserável periferia. E para um espetáculo de dar inveja aos nossos programas midiáticos do cotidiano nacional e hediondo.

E assim também vamos construindo os nossos sujeitos. Famosos e celebridades. Tão próximos. Miséria, riqueza e fetiche. O espaço de todos, livres para toda e qualquer esperteza e bem dinamizada dentro dessa Ordem. Que se sustenta e se globaliza. E quando se instabiliza, muito próxima de uma condição final. Que de tudo, tem que se dar conta. Sem conhecer o Brasil, esta é um pouco de nossa história. Porque o poder intimida tanto a esquerda, o Partido Comunista e perturbou o PT? Chegou o momento de assumir tudo isso. A acomodação a uma oposição ou a um poder que não quis se definir, como fez a BURGUESIA, desde a Revolução Francesa: a ferro e fogo! Para assumir a tudo que se está perdendo. Inclusive a utopia. Viver sem a utopia já é demais! Porque a utopia é o movimento, o continuar a vida, a dor, mesmo como o inconsciente contido como o de nosso Brasil desconhecido que só quer sublimar. Assumamos pelo menos o êxtase, o fetiche, daquelas grandes religiosas. Joana Darc, Madre Joana dos Anjos, Inês de La Cruz que também chegaram até o fim de seus projetos, num êxtase a ferro e fogo. Rompendo os limites pela fé e a coragem acima de qualquer sistema. O que tem faltado aos nossos políticos e Partidos. Principalmente os que se dizem de esquerda. Sempre mais capitalistas que o capital.

  LUIZ ROSEMBERG FILHO & SINDOVAL AGUIAR

                                                                         RJ, 2016

 

Luiz Rosemberg Filho é cineasta, artista visual e ensaísta. Sempre contestador, realizou seus primeiros trabalhos em meados dos anos 60 e segue ativo com uma produção incessante que já conta com mais de 60 títulos, entre curtas, médias e longa-metragens, boa parte deles realizada em vídeo.

Um comentário em ““O BRASIL QUE NÃO SABE O QUE É O BRASIL”

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *