Manifesto Sem Título (Segundo Oberharsen)

[Destribuído como um panfleto no Oberhausen Film Festival em 1965, como resposta ao manifesto Oberhausener. Retraduzido da versão em inglês (por incapacidade de acesso ao original) por Eduardo Liron]

Atualmente os curtas metragens têm significado somente quando eles ajudam a descobrir cineastas ainda desconhecidos. Lenica, Kristil, Kluge, e os outros não são mais descobríveis. Contudo, por três anos neste país, Peter Nestler, o mais verdadeiro e confiável dos cineastas teve três de seus filmes, Aufsätze [Ensaios], Mülheim (Ruhr), e Ödenwaldstetten rejeitados pelo Comitê de Seleção. O mesmo aconteceu com o charmosíssimo (primeiro) filme, Die Versöhnung [A reconciliação], de Thome-Lemke-Zihlman. E ainda há outros. J.-M. S. Este ano o Comitê de Seleção rejeitou filmes cujos autores se atreveram a levar a realidade a uma consideração séria. O Comitê de Seleção, portanto, manteve estritamente a regra dos últimos anos de selecionar apenas os filmes que correspondem à sua concepção artística de filme: distorção sutil ou violenta da realidade. Este procedimento apoia uma moda cuja origem advém ou do desprezo, ou da estupidez, ou do desamparo. É compreensível que muitos diretores de curtas-metragens prestem homenagem a ela; isso não requer experiência nem engajamento (apenas uma pequena habilidade formal). Isso convém à República Federal e irá prevalecer. Hoje esta moda já está se tornando um ditadura. Ela possui um grande festival internacional. Ela mostra alguns poucos filmes e diz: isto é o filme alemão, e isso é tudo, e isso nos agrada. Seja Mannheim, seja Oberhausen, seja o Gloria ou a Constantin Production Company –– eles são a mesma coisa no mesmo nível. Oh, que sociedade progressista e crítica! Isto se chama a arte da camuflagem, uma mentira. O mau torna a consciência sensível: a honestidade se torna afronta. Jean-Marie Straub, Rodolf Thome, Dirk Alvermann, Klaus Lemke, Peter Nestler, Reinald Schnell, Dieter Süverkrüp, Kurt Ulrich, Max Zihlmann. OBERHAUSEN, 1965.

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

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