Manifesto do filme artesanal

[Manifesto escrito pelo coletivo experimental australiano UBU films em parceria com o cineasta Albie Thoms, publicado em inglês na revista Chaos em 1968. Traduzido do original por Eduardo Liron]

  1. Que ninguém mais diga que não conseguiu dinheiro o suficiente para fazer um filme — qualquer pedaço de película pode se transformar num filme artesanal sem custo nenhum.
  2. Que a fotografia não seja mais essencial ao cinema – os filmes artesanais são feitos sem uma câmera.
  3. Que as considerações literárias sobre o plot e a história não sejam mais essenciais ao cinema — os filmes artesanais são abstratos.
  4. Que nenhuma consideração seja dada à direção e à montagem — os filmes artesanais são criados espontaneamente.
  5. Que nenhuma mídia seja negada aos filmes artesanais — eles podem ser riscados, raspados, desenhados, entalhados, coloridos, tingidos, pintados, urinados, preto e branco ou coloridos, mordidos, mastigados, fritos, ralados, perfurados, rasgado, queimado, descascados, ensanguentados, com qualquer técnica imaginável.
  6. Que a música escrita ou performada seja rejeitada pelos realizadores de cinema artesanal – que uma música artesanal seja criada diretamente na película por qualquer técnica de raspagem, desenho, etc., imaginável.
  7. Que nenhuma ortodoxia do filme artesanal seja estabelecida – elas devem ser rejeitadas sozinhas ou em grupo, uma em seguida da outra, seguindo, voltando, lentamente, rapidamente, em todas as formas possíveis.
  8. que nenhum padrão de filme artesanal seja criado pela crítica – um filme riscado inadvertidamente por um projetor é igual a um filme explicitamente desenhado por um gênio.
  9. Que os filmes artesanais não sejam projetados em cinemas, mas como se fossem ambientes, que não sejam absorvidos intelectualmente, mas por todos os sentidos.
  10. Acima de tudo, que todos os filmes artesanais sejam abertos para todo mundo, pois os filmes artesanais devem ser uma arte popular.

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

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