Manifesto do cinema pobre

[Escrito em Espanhol, no ano de 2003, para o Festival Internacional del Cine Pobre. Traduzido por Eduardo Liron]

Esclareçamos os mal entendidos Cinema pobre não quer dizer cinema carente de idéias ou de qualidades artístcias, mas se refere a um cinema de economia restrita executado tanto em países menos desenvolvidos ou periféricos, assim como também no seio das sociedades dirigentes a nível econômico-cultural, seja dentra de programas de produção oficiais, seha através do cinema independente ou alternativo Manifiesto do cinema pobre 1- A tentativa de globalização acentua o abismo entre o cinema pobre e um cinema rico. Ela comporta, definitivamente, o perigo da implantação de um modelo único de pensamento, sacrificando em seu caminhar a diversidade e a legitimidade do resto das identidades nacionais e culturais. 2- Hoje em dia a revolução tecnológica é a portadora de eficazes meios de resistência a este projeto despersonalizador, ao se consolidarem progressivamente novas possibilidades técnicas, que como no caso do vídeo digital e sua ulterior ampliação a 35mm reduzem notavelmente os processos econômicos da produção cinematográfica. 3- Isto repercute em uma gradual democratização da profissão, ao desequilibrar o cárcere elitista que tem caracterizado esta arte, inexoravelmente vinculada à indústria. 4- Aproveitar e estimular esta redução de custo de produção significa, em um futuro imediato, a inserção na cinematografia de grupos sociais e comunidades que nunca antes haviam tido acesso ao exercício da produção cinematográfica, ao passo que dará perdurabilidade às incipientes cinematografias nacionais. 5- Isto será o baluarte fundamental para se escapar de um sentimento de desamparo diante do vandalismo globalizador e permitirá legitimar, de uma vez por todas, a polivalência de estilos, legados e propósitos de uma arte que não será patrimônio de um só país nem de uma só e impositiva concepção de mundo. 6- Para que isso ocorra, se deverá derrubar o muro do controle da distribuição cinematográfica feita por um só grupo de grandes empresas ou de transnacionais, que gera a alienação do público, por não ter este acesso às obras de seus autores nacionais. 7- Isto nos permitirá lutar contra o espetáculo da violência gratuita cinematográfica, que avilta as audiências e especialmente aos espectadores mais jovens. 8- Uma gradual desalienação do público só será fecunda se os diferentes governos implantam ações legais que apoiem a produção e a distribuição de suas obras cinematográficas autóctones. 9- Então o cinema terá saído, definitivamente, da era da barbárie. Humberto Solás Presidente del Festival Internacional del Cine Pobre

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

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