LANDSCAPE: Entrevista com Luiz Rosemberg Filho

Zagaia – “Landscape” não é um pouco diferente dos seus curtas e médias anteriores uma vez que abre para a vida comum e o espaço? R- O filme é uma viagem iniciada pelo queridíssimo Andre Scucato a Las Vegas entre luzes, cores e um estado aparentemente vivo, mas sofrido, enlouquecedor e doentio. Viagem terminada por mim e inventores como Tito Rosemberg, Cavi Borges, Caio Lazaneo, Renato Coelho, Priscyla Bettim, Jennifer Glass… entre nossos tantos bodes e fantasmas do mal tipo Temer, Cunha, Doria, Crivella, Jucá, Bolsonaro, Caiado, Feliciano… Termos que suportar isso todo dia, é pior que a carnavalização enlouquecida e artificial de um espaço como Vegas. Ter visto aqui nas redes sociais um deputado evangélico babando de ódio com o idiotismo frustrado com o fim do Ministério da Cultura foi uma das coisas mais feias, grossas e ridículas que vi em toda minha vida. E qual seria a origem de tanto ódio? O de não ser levado a sério por quem apesar do golpe de 2016, ainda pensar? Já imaginou esse triste elemento no poder? Voltaríamos a Idade das Trevas! Mas…faz algum sentido andar para trás? A quem interessa o retrocesso perverso, baixo e sujo do “senhor” Temer e sua quadrilha? Tem algum gozo desse “senhor” em ficar na história como baixo, sujo e traidor? Zagaia – E então o que existiria de pensamento produtivo após ver o filme, já que você partiu de imagens que te foram dadas? R- É um trabalho verdadeiramente muito simples, ainda que originalíssimo. E aí fica mesmo a critério da vontade e sensibilidade de cada um, sem a menor obrigação de gostar. Eu já não espero mais nada desse país feio e doentio como está. O atraso da religião, da política e do mercado tomaram conta do Estado, empobrecendo-o vergonhosamente. Ora, um filme que ainda faz pensar, que contribuição pode trazer do ponto de vista da reflexão, num país vergonhoso que só faz andar para trás? E de maneira baixa, suja e violenta de cima para baixo. Zagaia – Mas fazendo esse tipo de cinema que você faz, em algum momento o espectador é pensado? R- Claro que temos todos que termos essa preocupação. Não faço, nem nunca fiz filmes para o meu umbigo! Mas antes de tudo penso no filme, na linguagem, no processo, na poesia, nos afetos, na inventividade, no sonho e na beleza. O espectador é importante, mas é a última etapa de um filme né? E penso que ele se sentirá satisfeito se for respeitado como ser humano. Se ver, ouvir e entender idéias além da mesmice da mídia. Enfim, tudo é importante se vier das nossas próprias entranhas! Todo filme tem de ser um rico desassossego de tempos, vidas e realidades. A vontade do cinema televisivo agora em moda, batizado vulgarmente pois não corresponde ao real de “comédia popular”, é sinistra e ideológica, sim! Pois o espectador é tratado apenas como gado pagante. É pura mercadoria de quinta! E é pouco né? Zagaia – Onde você quis chegar com esse seu “Landscape”? R- Eu quis chegar no olhar, na reflexão, no pensamento, no encontro, na troca e na paixão. Não posso acreditar que esse sistema mantido pela barbárie seja eterno. Tudo muda um dia né? Não mudou a revolução de 17? Não mudou a de 64? O governo Temer não tá hoje aí mais podre que comida de urubu? Queiram ou não a história se movimenta. Ontem proibiam meus filmes por pura provocação e pirraça. Hoje são estudados nas universidades, aqui e lá fora. Se a excrescência “humana” do poder acha que será eterna, logo estará nos cemitérios das cidades apodrecendo, já bem antes de morrerem. Já fedem nas imagens e na vida né? Zagaia – Não existe no discurso de “Landscape” uma determinada fala na banda de som, em permanente conflito com as imagens? R- Conflito eu vivo com a certeza de existir e insistir num país que convida ao ódio e a morte, e não a vida e ao prazer! No lugar de vivermos os sonhos ainda não realizados, o insosso lado do mercado, da religião, da “justiça” e da política que não fazem pensar nem gozar! Ainda assim, com muito esforço continuamos fazendo e pensando né? E, à sordidez dos muitos discursos e imagens que nada dizem, respondemos com o esplendor dos afetos e do saber! Com poesia para os olhos e para as mentes livres! Cinema não comercial é sim uma multiplicidade infinita de ensaios de liberdade, encontros e paixões. Não to dizendo com isso que todos são geniais. Tem também alguns que são ruins né? Quem quiser perfeição que vá fazer parafusos pra cabeças! Zagaia – E por que seu irmão agora na pista de som e imagem, confrontando nosso eterno mal estar? R- Embora pareça um filme rico, é totalmente pobre, sem dinheiro de lado nenhum. Não tem patrocínio, edital ou o que seja. Nunca suportei burocratas e burocracias! E em sendo absolutamente experimental (não alienados como os de muitos “coleguinhas” que na verdade brincam de fazer cinema), só mesmo meu irmão falando né? Tito já foi ator, locutor, poeta, jornalista, aventureiro… e se saiu super bem como sempre. Tem também a participação afetiva e poética da Priscyla Bettin e da doce, linda e talentosa Jennifer Glass. E esse conflito da banda de som ser diferente do que está sendo mostrado foi sempre uma referência do meu cinema, e do meu próprio ser. Posso perfeitamente está vendo uma coisa e pensando em outra. As diferenças podem andar juntas mesmo em conflitos teóricos uma vez que meu/nosso cinema são linguagens e paixões a 24 quadros por segundo! Zagaia – Sem nenhum tipo de apoio de canto algum, e se a crítica também ignorar ou detestar, de que valeu fazer mais esse trabalho? R- Tirando os críticos e amigos Cid Nader e Sergio Santeiro quem pensa criativamente o curta metragem, também como espaço, reflexão e negócio? Mas…o poeta já dizia: “Tudo vale apena quando a alma não é pequena.” Se fosse depender de apoio não teria saído do primeiro ou do segundo filme, como muitos que desistiram. Sempre vivi sendo boicotado por todos os lados possíveis, continuei e continuo para a infelicidade do cinemão televisivo e boçal. “Landscape” foi baratíssimo e por isso o fiz só com pessoas muito queridas, vivas e solares! E o fizemos de modo inventivo e apaixonado! Valeu fazê-lo tal como está: ousado, criativo e visceral! É um poema visual em estado bruto e pleno de ousadia, encantamento e prazer. E…demasiadamente crítico,né? Crítico mas poético sem ser arrogante ou mesmo chato. Zagaia – Em “Landscape” como bateu a idéia da construção do texto e das imagens sempre desafiadoras e ricas? R- Veja, são as idéias e as imagens que me descobrem e me conduzem. “Landscape” parte de imagens de Las Vegas que me foram dadas por Andre Scucato, como pensadas para mim. Fui sendo absorvido por essas imagens. Fiquei vendo-as muitas vezes até que me surgiu uma palavra, um tema e uma saída poética original e desobediente. Do texto a filmagem, o fizemos numa só noite com luz nenhuma. Do resultado final a montagem, alguns meses de espera e reflexões. Caio Lazaneo, Renato Coelho, Pryscila Bettim e Jennifer Glass acrescentaram Wislawa Szyborsk a beleza grega da arte representativa de uma sublime vagina em estado encantatório de encantamento. O sexo e o amor como produtores de integridades bem mais nobres que as guerras e Golpes de Estado. A essência da vida tão próxima e tão distante do nosso tempo. Tempo sem desejo onde o sublime deu lugar ao consumo do vazio. E como fala um poema de Bataille: “ não tenho mais nada a te dizer/ eu falo dos mortos/ e os mortos são mudos”. Um filme de encontros com o prazer de viver e apesar do bode sujo da política atual, fazer e amar muito a todos! E essa é a nossa maneira de resistirmos ao fascismo Temer: fazendo e amando muito! Coisa que eu duvido que essa velharia mofada do poder faça, pois detestam a criação, o povo e o Brasil! Apenas representam que são senhores bem casados, respeitáveis e felizes! Mentirada braba pois quem trai o país e o povo, também se trai! Vira lixo e apodrece antes de baterem as botas. Zagaia – Nota-se no seu trabalho uma grande importância dada as palavras, e também a composição das imagens nem sempre muito claras. Como entraria aí o corpo na história do seu cinema? R- Penso que o corpo não é uma parte isolada da idéia. Ele vem junto em estado bruto e nos ensaios ou reflexões, vai se lapidando as chamadas “gordurinhas”. Mas não sou de modo algum dos que curtem um tempo ou um cinema, só do corpo como personagem principal. Saber dizer bem um texto é tão importante e vasto como saber se posicionar criativamente em cena como personagem. Ou seja, o corpo como poesia das idéias, sim! O corpo como caminho integrado a contemporaneidade das idéias nem sempre fáceis. Nosso cinema exige sim, um pensamento do porque das coisas! Zagaia- A vagina é quase uma imagem viva e forte neste pequeno/grande filme de invenção. Se justifica? R- O espaço erótico margeia quase todo o meu cinema. Digamos que é uma contextualização mais delicada e poética da existência. Mais delicada, e nos dias de hoje mais difícil pois tudo foi deixado meio de lado priorizando-se idiotismos como consumo, mercado, sucesso, dinheiro e traições pelo poder! Se observarmos o golpe/Temer vamos ver algum viés de respeito e afeto pelo humano lado da vida? Reconheço apenas um processo de dilaceramento de múltiplos sangramentos da liberdade, dos sonhos e do país! A velharia que um dia já foi jovem possivelmente deve ter vivido e acreditado em atitude e posturas mais nobres, né? Mas traíram e se traíram! Se tornaram seres abjetos! Não a toa estão implicados em roubalheiras, desvios do dinheiro público, entreguismos e traições! A presença da vagina entra aí como uma resposta arejada aos tantos HORRORES do nosso pobre e empobrecido tempo. É de onde todos viemos e da nossa parte, os sonhos que ainda persistiram vivos em nossas vidas. O nosso cinema apesar do entulho burocrático e comercial vulgar de órgãos públicos ligados a cultura, foi sempre pelos caminhos do encontro, da poesia, da linguagem e do prazer. Mais que natural uma doce homenagem a essa parte tão delicada do ser mulher! Não é de modo algum um uso comercial dos encontros e afetos. Mas um respeito quase que sagrado! Zagaia- Também a guerra e a violência estão sempre presentes, muito nos seus curtas. Daria para falar dos motivos de tantas variações e insistências? R- Como bem diz Anselm Jappe: “ O Estado fez para que a única “alternativa” a seu reino seja a barbárie aberta”. Portanto o que realmente importa são os Golpes de Estado, as guerras, a fome, o desemprego, a competição, o consumismo, a loucura, o dinheiro, a prostituição, a traição, a religião, a TV, a ordem… E é nesse circo dos Horrores que vivemos todos aterrorizados com o dia-a-dia que se está “vivendo”. E isso lá é vida? Vida sem nexo e sem gozo algum. São no dia-a-dia dos povos e da comunicação invisíveis, visíveis como espetáculo e atuam pesadamente. Teme-se mais o entendimento e o afeto que a morte e a guerra! Tenho e temos (e aí falo por todos queridíssimos da equipe) aversão a tais lembranças e fatos que só ruminam poder, perseguições, humilhações e torturas. E que sentido humano tem essas tantas tragédias na vida dos Continentes? Não se aprendeu nada com o passado? Não seria mais nobre olhar muito e afagar uma buceta sagrada? Essa trágica errância e futilidade do horror nos levará onde? A poeta Wislawa já disse um dia: “Estranho planeta e nele essa gente estranha’. Precisa dizer mais? Zagaia- A jovem cantora Anita disse num depoimento dado a revista Trip que: “Tem várias formas de você adquirir conhecimento, a TV pode ser uma delas.” Você concorda com tal colocação? R- Poder, pode. Mas não é mesmo! No Brasil então a TV é só um requintado instrumento de dominação militar a serviço da burrificação do coletivo e do poder. Com Xuxa, Fátima Bernardes, Datena, programação religiosa… o que se pode esperar? Faltam as televisões abertas ou mesmo fechadas um sentido e sentimento de país. Elas existem para o mercado e para o Estado. E não para a formação e para o saber. Isso atrapalharia o seu pesado e lucrativo investimento na alienação do país e dos Continentes. Os péssimos programas religiosos não se tornaram mercadorias? São ridículos e patéticos mas faturam alto para pagar suas presenças na TV! A televisão não elegeu os patéticos Dória e Crivella? E o Temer mais sujo que pau de galinheiro não foi e é mantido por ela? Quando os bons curtas-metragens vão ser exibidos em canal aberto? Nunca! Aos curtas que podem fazer pensar, eles preferem o novelão e a violência como espetáculos alienantes, para os povos! E aos poucos com doses cavalares vão sendo induzidos aqui, a votarem em Bolsonaros, Cunhas, Dória’s, FHC’s…. Triste país continental! Zagaia- Você que fez e faz muitos curtas, prefere-os hoje ao longas? R- Tenho muitos bons curtas como “O Discurso Das Imagens”, “Uma Carta”, “Afeto”, “Linguagem”, “Trabalho”, “Guerra$”, “ As Últimas Imagens de Tebas”, “Gozo/Gozar”, “Jornal”… E tenho curtas fracos ou ruins por culpa minha como “Figurantes”, “Documentário”, “Farra Dos Brinquedos”… Tenho ótimos longas como “O Jardim Das Espumas”, “Imagens”, “A$suntina”, “Crônica de um Industrial”, “Dois Casamento$”, e “Guerra do Paraguay”. E um longa fraco como foi o “Balada da Página 3” e mesmo o “America do Sexo” que só se salva o episódio do Leon. Eu tanto gosto de fazer longas como curtas. E em saído das entranhas como os curtas e longas do Santeiro, do Pizzini, do Renato Coelho, da Priscyla Bettim, do Joel Yamaji, da Renata Saraceni, do Eduardo Nunes… só podem ser jóias para um mercado ocupado pelas bostas de fora e pelas merdas ideológicas da TV, aqui! Mas já isso aí é lixo né? Zagaia- De que filmes brasileiros você tem gostado e defendido? R- Infelizmente não muitos. Amei o último longa da Ana Carolina que é um pau bem dado na santa burocracia do nosso cinema. Como também os dois longas do saudoso Ricardo Miranda. Gostei do “Serras da Desordem”, “Dominguinhos”, do “Olmo e a Gaivota”, do “Sudoeste”, do “Espelho”, “Os Dias Com Ele”, “O Som do Tom”, “ Nervos de Aço”, “Fome”, “ Som Ao Redor”, “Era o Hotel Cambridge”, “Filme Visto, Jamais Visto”, “Imagens do Estado Novo”, “BranCura”, “Demônia”, “Éden”. Não são muitos, mas são expressivos né? Agora daqui pra frente vamos ter o delicado “Saudade” que já vi e amei, “Quebranto”, “Depois da Chuva” e as dezenas de produções do Cavi. É preciso que o nosso cinema volte a ser potente, ousado, criativo e perigoso. Mas…perdi um pouco do encantamento, e hoje só vejo os filmes dos amigos. E dos amigos dos amigos por indicação, né? O tempo que antes parecia eterno comportava qualquer coisa de Lulu de Barros a Nelson Pereira dos Santos. A chegada da maturidade muda sim a noção de preciosidades e tempo. Não posso perder cinco minutos com idiotismos e espetáculos ruins, vendidos como “comédias populares”! E que de comédia não tem nada, e sim grossuras televisivas! Felizmente por isso não quis ser crítico. É phoda ter que ver tudo e falar sobre. Não tenho o talento por exemplo de um Rodrigo Fonseca, Fillippo Pitanga ou Carlinhos Mattos. De vez em quando rabisco um texto aqui e ali, mas é mais como cineasta insatisfeito com o cinema, a burocracia, a política e o país. Sou um cineasta que escreve, e não um crítico que filma. Zagaia- Dizem que você ousa por não ser pobre. É certo isso? R- Antes fosse rico! Ao longo dos quase 50 anos fazendo um cinema pesado, negativo e pensado nunca tive dinheiro na produção a não ser um pouco e ridículo no “O $anto & A Vedete”, que a santificada Embrafilme se recusou a entrar fazendo com que o produtor se recusasse a lançá-lo tal como estava. Ele queria remontá-lo, não deixei e fomos para briga eterna. Triste! E só fiz tantos filmes/ensaios pois tive e tenho verdadeiros amigos que se jogam de cara limpa em odisséias delicadas e ousadas no saber. À todos só posso dizer: obrigado! De Echio Reis a Analu Prestes. De Mario Carneiro a Renaud Leenhardt. De Ricardo Miranda a Arthur Frazão. De Joaquim Pedro a Cavi Borges, de João Lanari a Renato Coelho… E nada nunca nos foi facilitado. Ainda assim fiz e ainda fazemos! Edificamos um sólido pensamento vivo/negativo, sobre a fraqueza do fascismo como saída ou solução para o nosso maltratado povo e país! Ainda assim, tenho uma percepção móvel e afetiva da vida, onde associo a subjetividade ao afeto sempre muito forte e vivo na minha longa caminhada pelo cinema. Não tive papai produtor, dono de Banco ou influente no mundo da política ou da burocracia. Entrei e sai de pé do CPC, do INC com preciosos amigos nos dois espaços, antagônicos né? Sempre trabalhei muito e o enfrentamento das contradições nunca foram fáceis pois sempre combati o novelão da TV no cinema, a violência como espetáculo banalizante e uma quantidade infinita de traidores e sem talento algum. Briguei muito, e não me arrependo! Mas…queria ter palácios, imóveis, produtora em NY ou Bancos. Acho que ainda seria melhor como cineasta. Estava a décadas sem sair do Brasil e anos sem poder fazer um longa, cheio de roteiros e adaptações escritas. Teria desaprendido se não tivesse feito dezenas de curtas e médias. Devo ao Cavi a volta ao longa, que hoje ainda está pior que ontem. Nem mais o espaço/mercado é nosso. Está todo ele ocupado pelo lixo de fora e de dentro né? Hollywood aqui caga e manda! Aqui tudo só piora. Não fossem os amigos como Renaud Leenhardt, Nelson Dantas, Ana Miranda, José Carlos Asbeg, Sindoval Aguiar, Andrea Tonacci, Mario Carneiro, Ricardo Miranda, Pedrinho de Moraes, Duda Lascasas, Marta Luz, Capovilla, Joana Collier, Sergio Santeiro, Wilson Grey, Analu Prestes, João Lanari, Andre Scucato, Joel Yamaji, Patrícia Niedermeir, Ana Abbott, Arthur Frazão, Luciana Froes, Daniel Tonacci, Dr. Roberto Gil, Alexandre Dacosta, Cristina Amaral, Renato Coelho, Priscyla Bettin, Lívia Paiva, Caio Lazaneo…. Possivelmente estaria no hospício ou cemitério, como muitos. Quando saí de uma grave doença contraída na infância e que me acompanhou por anos, achei que a vida, a criação e o afeto deveriam ser um estado de festa permanente. E, é muito como me posiciono e me posicionei na vida indo muito além dos chatos, invejosos, egoicos, traíras, burocratas e partidos, com os quais briguei e sempre que necessário brigo! Vendo vez por outra nossos políticos falando na TV, acho-os frágeis e patéticos. Idiotas tão cheios de certezas, palavras e posições nunca assumidas, que fico feliz com as minhas muitas dúvidas. Quem me dera ser abastado! Faria muito mais pelo cinema, pelos amigos e por mim mesmo. Zagaia- E agora o que fazer? R- Vivo no Brasil né? Tenho muitos projetos, mas o mercado quer hoje merda chamada pelos deslumbrados de “comédia popular” ou filme de violência pornô. Ridículo, pois parece que nunca leram Martins Pena que é o nosso Molière, ou mesmo Lima Barreto que eu gosto muito. Eu merda faço, pois todos fazem né? Agora, com o pensamento pode-se elaborar com delicadeza e sensibilidade sonhos, encontros e afetos mais profundos né? Mas isso nem o poder, nem o mercado aceitam como necessários a uma melhor qualificação dos seres humanos. Gostam e gozam com a merda de suas vidas! O que posso eu esperar fazer? Como bem diz o filosofo Zeca Pagodinho: “Deixo a vida me levar/Vida leva eu”. FIM 2017

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