Soneto 138 de Shakespeare – Tradução

    Soneto 138 de Shakespeare Tradução livre por Rodrigo Suzuki Cintra   Quando meu amor jura que é feita de verdade, Eu acredito nela, apesar de saber que é mentira, Ela deve pensar que sou qualquer moço sem idade Que não conhece de fato como o mundo gira. Assim, inutilmente acreditando que ela me acha jovem, Apesar de saber que meus melhores dias já não voltam mais, Simplesmente eu acredito em suas palavras que me comovem, Na medida em que a verdade não nos satisfaz. Mas por que ela não admite ser desonesta? E por que não admito ser um homem idoso? O melhor do amor é ser hábito que ninguém protesta, Pois mentir no amor é sempre mais gostoso:         Nos deitamos em nossas mentiras, eu com ela e ela comigo         E na mentira do amor nós encontramos abrigo.   Soneto 138 de Shakespeare When my love swears that she is made of truth, I do believe her, thought I know she lies, That she might think me some untutored youth Unlearned in the world’s false subtleties. Thus vainly thinking that she thinks me young, Although she knows my days are past the best, Simply I credit her false-speaking tongue; On both sides thus is simple truth suppressed. But wherefore says she not she is unjust? And wherefore say not I that I am old? O love’s best habit is in seeming trust, And age in love loves not t’ have years told:          Therefore I lie with her, and she with me,          And in our faults by lies we flattered be.  

2 comentários “Soneto 138 de Shakespeare – Tradução

  1. Gostaria apenas de partilhar uma outra tradução a da edição Obras Primas da Abril Cultural do inicio dos anos 80, não sei dizer quem é o tradutor, pois já não tenho mais o exemplar. Como acontece a quase todos os bons livros, esse me voou da prateleira… por sorte, eu tinha esse e outros em minhas anotações.

    1. Quando jura ser feita de verdades, 
      Em minha amada creio, e sei que mente, 
      E passo assim por moço inexperiente, 
      Não versado em mundanas falsidades. 
      Mas crendo em vão que ela me crê mais jovem 
      Pois sabe bem que o tempo meu já míngua, Simplesmente acredito em falsa língua: 

      E a patente verdade os dois removem. 
      Por que razão infiel não se diz ela? 
      Por que razão também escondo a idade? 
      Oh, lei do amor fingir sinceridade 
      E amante idoso os anos não revela. 
      Por isso eu minto, e ela em falso jura, 
      E sentimos lisonja na impostura.

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