Sobre uma entrevista que não fizemos. Homenagem a Carlos Reichenbach

Uma das experiências das quais nossa Zagaia se arrepende de não ter feito foi uma entrevista com Carlos Reichenbach. Planejávamos fazê-la, mas a saúde do gigante não permitia. Certamente, ele teria muita coisa a nos ensinar, como nos mostrou em seus filmes. Seu cinema “anarco-leninista” ainda é um enigma em meio a tanta fotografia que anda cansando nossas vistas. No deserto da pornochanchada, Reichenbach seguia na contramão de um modo diverso: decidindo deixar no rastro mesmo da pornochanchada sua mensagem à contrapelo: uma revolução do corpo que atravessava nosso olhar desavisado pelos costumes. Sem delimitações prévias, explorava todos os territórios, recuperava antigas linguagens; ou melhor, desafiava o público a experimentar o estranho, o desforme, o inaudito. Levava-nos ao terreno do desconforto. Operação complexa que não permite concessões. Certamente, nossas primeiras quartas-feiras do mês ficarão mais tristes. Era quando podíamos nos encontrar e ver as bizarrices mais delirantes no seu cineclube. Na pergunta que deixou de ser feita em nossa entrevista que não se realizou ficou a experiência de seu olhar e a batida de seu coração generoso. Até sempre Carlão,

Coletivo Zagaia.

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