Que tal um rolezinho? – Poesia

Roda viva da história, A morte prevalece. Se não te disparam, Se não segue pra cadeia, Se não te retiram o futuro: Não há casa, não  há vida. Há cárcere! Rolezinho restrito no banho de sol.   Memórias do Cárcere, há muitas, Destino de muitos rolezinhos da história, Coluna Prestes, Arrastões, Lampiões Bandidagem pura que circula Inimigo público em lugar privado. Vícios privados em virtuosidade pública!   Ra-tá-tá-tá! Tiros que ensurdecem o tempo   Uma negra dá seu rolezinho, e senta em lugar proibido. Lugar de negro é no fundo do busão! A história muda com um rolé!   Dois negros jovens – Destes que deveriam estar ou no trabalho ou  numa cela, ou quietos no barraco deles – sentam-se num café, proibido para gente de sua cor e animais de estimação. Recusados pelo serviço da casa – “Nem toda razão é o cliente”…- Sobem à mesa e discursam Poesias e vomitam Constituição. Black is beautiful! A história muda com um rolé!     Enquanto isso, de tempos em tempos, Os sertões dos tenentes, Os cafés dos poetas, O busão da negra seguem seus destinos que se repete em nós: Contestar é prisão, Revoltar é assassínio, Viver é perigoso. Circular é proibido.   Mesmo assim… Pergunta subversiva de tão ingênua: Que tal um rolezinho?  

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *