Qaîn – Poesia

Ecce eiicis me hodie a facie terrae, et a facie tua abscondar, et erro vagus et profugs in terra: omnis igitur qui inverenit me, occidet me. Dixitque ei Dominus: Mequaquam ita fiet: sed omnis qui occiderit Cain, septuplum punietur. Posuitque Sominus Cain signum, ut non interficeret eum omnis qui invenisset eum, egressusque Cain a facie Domini, habitavit profugus in terra ad orientalem plagam Eden. (Gen., 4: 14-16)

  I. Deixa-me viver-me nestes dias de sombras. Deixa-me, agora  

[ânsias recônditas

outrora das faces]

   

Invioláveis

  todas; os tordos q cantam & Tua melodia era ainda olvido do agora  

[como se fôsseis

  (os fósseis)  

íntegro da noite]

   II.   Teu grito — um ai. Tua face  

[recusada,

plana

 

olho vítreo

 

q s’ nega]

  no açoite mudo.  

Há?

  o chão d’entrega é abismo  

&

  q’em sabe se veja

este               não.

    Obscuro é chama  

[&]

 

vela

 

acalanto

 

e noite

 

[e nós, os nós

d’açoite, ainda

desejo inolvidável

 

da morte]

  Assim …………………………………………………………………..     III.  

(sonhei c’obscuro desejo, c’o tigre antiquo. no meu

espelho, esperei.

encontrei a forca

 

[apenas]

 

d’onde pendia a imagem ideal d’um pai, ancestral

de vozes e vezes e

tons — esquecidos. & o reflexo era: das eras

 

[escondidas]

 

d’antanhos todos, o último ímpeto: criar o seres

negado [e os deuses] e

as trevas — ter sido como

 

[se]

 

a entrega pudesse. mas, não. nego a Ti, vazio

absoluto, flor negra

tripartida, incapaz & íntima. nego-te a Ti q’s ergue

todo)

 

 

Na Noite

  IV.   [a minha noite vária e uma vértebra tímida,  

tíbia da terra

  esta noite q’esvai (e erra)

além do além

  — eu, incapaz desta.    

minha noite

  a meio]   Na Noite fátua, sem mistérios  

[o fogo

      V.   fausto, sereno, das trevas]  

esquecidas formas

espirais tantas

  tamanhas   d’universo  

[os Nomes

— dados

esquecidos —

 

&

]

    VI.  Quem a Te nomeou

meu nome?

 

[sou Qaîn, filho da marca

 

&

 

do fogo q’encanta, sulfúrico!

 

Qaîn! teu nome dado

Qaîn, perfecto inter

 

pares perfeitos, os nomes

 

entregues!]

 

És

  feto e ferro   [És!]  

Nada.

   VII.  [mordedura do passado vejo-te a Te em mim.

grito:

 

Qaîn!

 

Qaîn!

  ergas esta vox aeterna e doce! entrega-te a Te! q’em a Te dera a palavra & o futuro da forca — a Te, meu irmão  

a forca

&

foi-se]

  Mas restas  

clava.

    VIII.  

Apenas

  a languidez serena de nossa mentira    

[‘oth]

 

mestre em Literatura e Crítica Literária pela PUC-SP, professor universitário, autor dos livros Animaquia (SP: Scortecci, 1997), Kether (SP: GRD, 1999), Bemidbar (Menção Honrosa no I Prêmio Universitário de Poesia promovido pela UniFMU/UBE/ABL, 2003), além de autor de textos críticos e teóricos.

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