Deivid Junio – Poesia

gênesis

o girassol é amarelo van gogh fez o resto

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e deus viu que era bom lavando o rosto, descansou

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transverça

a menina-moça se olha na poça d’água e é linda a manhã depois da chuva forte, vê. as maçãs do rosto dela, a rosa amarela, a borboleta negra, a poeira acalmada na estrada de terra.

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a menina tem uns olhos de ver tudo: desde a pegada do gafanhoto até o céu violeta sobre a roça.

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o sexo da lesma, a rabiola solta, o pólen. a célula da fada. a folha seca paira. uma menina outra.

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ela despreza os mandamentos e é tudo só beleza nas coisas violentadas por ninguém.

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no quadro do mundo a moça é uma reta torta; a menina louca, dizem. a perereca que salta. a reza sem decora, a fita desfiada, a poeta.

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moça, você existe de outro jeito. me ensina.

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Irredutível

Eu não tinha pressa, apenas olhos:

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Seis de julho, 2007 6ª-feira, Praça Sete, 17h

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Amarela, a moça de vestido rosa segurava nas mãos uma rosa amarela..

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A cidade nula, a tarde nela…

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Faltou um poeta, faltou um fotógrafo.

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Por um fio

há um fio invisível entre a razão e a insanidade, a lucidez e a desrazão, a moderação e a vaidade

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oscila

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um fio como os do cabelo, mas invisível e oblíquo, apenas determinado pelos teóricos das loucuras; vê?

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romper o fio é amar o vermelho e abrir torneiras e rasgar travesseiros, vagar sem medo no reino do sensível pra ser ex-ato e mais

                                                                          [imaginação fazer poemas o dia a noite inteiros

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Acredita a água que pinga da torneira goteja em meus ouvidos

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essa água entra na minha cabeça e sai em forma de fumaça

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