Tati Djrdjrjan – Poesia

  Beijo do vento…
O vento traz o centro do que ainda não entendo, Mas o seu ventar constante Mostra a exatidão dos sentidos Eternamente explorados e presos Nas superfícies do que me é desatento. A pedra na mão Única porção do real A me trazer o alento Do que me já é conhecido Encontra na sua incompreendida forma O seu confesso lamento O corpo todo em festa Como se a boca fosse a fresta Do eterno ventar e seu despertar lento A mexer com o que me move Me deixa entre a inexatidão e o sossego Fome do ensejo Do ser que não vejo, Mas me preenche inteira, Simplesmente com seu beijo.     Beijo Bordado O que eu sinto, não me vêem, O que me vêem, eu não sinto, É tanto desencontro, Que às vezes, minto. Sem raiva, premeditação ou culpa, É mentira verdadeira, pura, Que me faz crer na fluidez da água que passa e nunca fica, Pois é da sua essência ser rala e viva… Vez em quando, a mentira vem com algum desassossego, Aperto no coração, como se fosse um medo, Uma sofreguidão, um lamento… Daí, ela arranha a garganta e só sai com rouquidão, Voz grossa que mostra a podridão do atropelo… Tem outros momentos que a mentira parece um perfeito novelo, A ponta é tão pequena e frágil, que é incerto o desfecho, Pois o grande desenrolar das frases, Faz da mentira um complicado bordado no pano em relevo, Daqueles difíceis de desmanchar, Sem deixar marcas e pontos profanos de desejo. Mas é quando a mentira se confunde com a verdade, Que eu realmente me calo e canto o sossego, Pois é somente aí que compreendo que no sentimento, Não cabem alguns conceitos e só é real o que eu aceito e remendo, Sem importar o enredo ou o acerto, Já que a voz é o meu próprio ensejo de tornar belo meu amor, Como se fosse um beijo, Bordado com meu sangue, Sem nenhum outro adereço.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *