Partido Alto e partir pra cima! O retorno do Cordão da Mentira promete.

“Entre uma pausa, uma estrofe,

uma clave, é o sol que vai brilhar,

Pra quem teve paciência

De esperar a hora de cantar”

Caio Prado

O retorno do Cordão da Mentira neste último domingo (08 de dezembro) promete com o retorno de sua roda de samba no ECLA (Espaço Cultural Latino Americano). O ano que virá será difícil. Por isso a força do batuquejê para dissolver tanto as mentiras que vieram como as que virão!

Sua roda não é brincadeira.

Afinação dos músicos, seleção musical de responsa. Trançaram composições antigas e recentes entre cavacos e variações ritmadas dos batuques. As letras, quase todas remetem às lutas do passado, futuras e presentes! Mesmo porque a história da violência insiste em se repetir.

Canudos, Palmares, massacres anônimos dos povos das periferias. Marcas de sangue na história brasileira. É o preparo para o ano que virá. Esperança dos que a história deixou sem esperança.

1964-2014: o que mudou com os cinquenta anos da ditadura civil-militar? Basta uma retrospectiva breve deste ano para pensarmos como ainda persistem as repressões das manifestações civis, como ainda permanecem as feridas das torturas em Amarildos. Algo que o “Frevo da Falha” (Everaldo Efe Silva e Douglas Germano, clique aqui para ouvir) lembra bem:

É bala em vez de chibatada

Mandado em lugar de feitor

Emoldurando a senzala

A casa grande se enfeitou

Além de fazenda a fachada

À banca o poder se aliou

Modernizando a curriola

Integrando ao luxo o traidor

Pensando que quem está de fora

Desconhece a luta e o destemor

Trocam-se as ferraduras, continuam os coices. Parafraseando Juscelino Kubitschek, outra vítima da ditadura, são 500 anos em 50.

Que os batuques queimem os fantasmas do passado! Que o canto da agonia não deixe silenciar o sofrimento dos tempos!

Sambar sobre estes mortos-vivos não é mera questão de desleixo. É trazer uma outra linguagem: o deboche terrorista que desmilitariza não apenas as instituições, mas a nós mesmos.

A dinâmica da roda de samba é isso: corpos em outras relações. Música que afina os instrumentos e o ambiente. Som que desafia a ouvir diferente. Dança do guerreiro.

Promessa que alimenta o Cordão da Mentira. Processo que integra novos parceiros.

Próximo ano, como se diz, tudo se vestirá com o tal “padrão Fifa”. Sigamos a ordem do dia! Façamos um enfrentamento padrão Fifa! Na lição de 2013, provou-se que as ruas não são para dançar, mas para lutar. Tomemos o simbólico e reorganizemos os discursos: novas práticas sairão daí.

Que seja o espaço da roda um exemplo possível! Sem protagonistas, sem colonizadores. Apenas o olho no olho pelo repique do tamborim. Variações conforme os desafios. Desmilitarizar também acontece aí.

Como ressoa em “Camarada Lampião” (Renato Martins e Roberto Didio , clique aqui para ouvir):

Entrar de cabeça na briga

É a pedida pra ganhar

De que lado está você?

De que lado?, eu quero ver!

Meu Bloco vai cobrar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *