O Falecido

[Interpretação: Fábio Goulart – Cavaquinho: Chico Crozera]   Estava eu em mais um dia de trabalho Garantindo o meu cascalho e o telefone tocou Ailton Barriga com uma voz deprimida Parecia entristecida ao dizer: Alô Doutor   E na sequência me falou sem paciência Acho que você não soube ainda o que aconteceu E sem rodeios, sem delongas ou entremeios Tal qual um punhal no peito, desferiu: O GUTÃO MORREU!   A causa mortis era ainda um mistério Quando soube que o Robério d’outro lado noticiou Gritou do alto do morro de Quitaúna, logo após tomar mais uma: O GUTÃO EMPACOTOU!   Toda a cidade de Ós já, então, em surto Pediu três dias de luto pro gordinho que foi bamba E a tal notícia abateu sem piedade Toda a comunidade de Projeto Nosso Samba   Cadê e o corpo? Onde estão velando o  morto? Ninguém acreditava que o Guto tinha partido Enquanto isso na internet circulava a nova comunidade: EU AMAVA O FALECIDO!   Eis que alguém depois de ir ao necrotério Passar pelo cemitério, localizou o finado Estava lindo, parecia estar sorrindo E a bandeira tricolor hasteada do seu lado. (Bandeira tricolor? Tão velando o morto errado)   Pra espairecer a mente um grupo foi à praça Pr’amenizar a desgraça, falar de outros assuntos Foi constrangido, por um par de enamorados Ele e ela, agarrados, eram: um só, de tão juntos!   Passado o baque que pôs o grupo basbaque Mereceu maior destaque o espanto do conjunto Pois o casal imoralmente agarrado E rolando pelo gramado… ERA A VIÚVA E O DEFUNTO!    

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