Introdução às entrevistas da 1a edição

Seriam estes dois mestres Zagaias tão diferentes? Duas gerações tão distantes? Inquietações divergentes? O que mais podemos pensar quando encontramos nesta coluna duas personalidades como José Ramos Tinhorão e Vladimir Safatle? Foi em dezembro, quando começávamos a discutir esta Zagaia, a conversa com Tinhorão, realizada em um boteco da Vila Buarque. Foi neste mesmo espaço, algumas horas antes da chegada de Tinhorão que fizemos a primeira reunião para a criação da revista. Coincidentemente ou não, o nome Zagaia surgiu no meio da entrevista de Tinhorão, em um de seus numerosos e divertidos “intervalos”. Cercado pelo que seria futuramente o coletivo Zagaia, o mais polêmico crítico cultural do jornalismo brasileiro contou-nos histórias surpreendentes. Meses depois, encontramos Vladimir Safatle, cujas reflexões não deixam de transpirar a inquietude de seu espírito.

Engraçado… Sombras do que havíamos ouvido com Tinhorão reaparecem nas palavras de Safatle! Ambos preocupados com as perspectivas da música na sociedade contemporânea. Ambos, críticos de um modelo em ruínas. Mas, cada um a seu modo, partindo do mesmo lugar, da crítica em falência, chegam a conclusões um pouco diversas. O objeto, para Tinhorão, deixou de existir: a morte da canção é o fim de linha de uma experiência histórica da qual ele foi um dos principais cronistas. Vladimir constata o mesmo. No entanto, enquanto para um a ruína é o fim, para o outro são portas que se abrem. Retrocesso, ruptura, ou um novo momento histórico ainda por ser compreendido? Dúvidas que estes dois críticos das manifestações artísticas contemporânea deixam em seus tabuleiros.

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