Geração

Geração

Tudo na vida é tempo e nosso tempo passou. Foi tudo sempre agora e o futuro um risco. 

Mas não morremos, não fomos mártires, não somos santos, somos tão comuns. E ainda…

Somos fruto do ocaso. Casos perdidos. Nem jovens. Nem velhos.

Nossas almas conservadas em tragos baratos e espelhos ressentidos cantam o agora que passou sem chegar.

Somos breton, benjamin, candeia, buñuel, che, glauber, e não somos ninguém. Nossos desejos que o passado acertasse, um outro passado, não o nosso.

Mesmo sabendo que a batalha fora perdida, mesmo sabendo de tudo, cantavamos ladainhas de outrora. Canções de morte como canções de guerra.

Nossos inimigos celebram vitórias com suas máscaras mortuárias e suas artes monstruárias. Seus corpos não tem sangue. Fantasmas sem vida.

E nós zumbis ensanguentados. Tanta vida em potência a vida que se esvai. Hemorragia de ideais intangíveis.

Nosso gênio está preso no copo. Ele nos sorri do fundo dessas esperanças de vidro. Ele se banha nos licores e alucinógenos que levamos a boca. Ele se diverte com nossa fraqueza. Ele ri de nossa existência.

Somos a geração de mortos, o luto por viver. A geração das esperanças em pó. A geração dos deserdados dos sonhos em busca de vida. Os filhos da loucura e do medo renascidos em busca de luz.

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