Conservador primata, capitalismo selvagem

Na solidão dos anos, o conservador só enxerga a preservação de si pela lei da selva. Eles se reproduzem “pegando” todo mundo. Ficou famosa a“> declaração de  José Serra, o comedor.

Ao neoliberal restou o consolo da mão invisível e as ideias vazias de gestão da seca e dos apagões.

Na falta de pensamento, o que resta àquele que opta por dobrar à direita? O que resta minimamente ao idiota que se protege num mundo que muda vertiginosamente? Saem das cavernas antigas frases com corpo novo. Uivam o passado num coletivo incultural. Sinal de desespero da imagem de um mundo que queima em suas próprias chamas.

Delírio que ainda sustenta sua realidade nos aparelhos desgastados mas de largo alcance. Escrevem em jornais e revistas que apóiam o que sustentaram há anos atrás. Círculo vicioso de quem é avesso à processos democráticos. Não é espaço de debate, mas de convencimento. Procuram conquistar o maior número de incautos. A técnica é antiga e já denunciada pelo velho Sócrates. Pois os sofistas da Grécia Antiga vendiam a ideia para vencer o combate na arena pública. Era o jogo da imagem que contava na retórica.

E a imagem que nos vendem? Baixo nível de resolução digital. Discurso que circula imagem e confusões. Os sofistas antigos ao menos se valiam da poesia épica, ou seja, a narrativa dos feitos de um povo. E os de agora, fornecem, por um lado, uma imagem em preto e branco de um fantasma terrível do que acreditam ser a esquerda e, de outro lado, a paródia da necessidade da diferença do indivíduo – ou seja, a diferença da identidade. Na baixa resolução da imagem neo-sofista, a criatividade faz acordar o gigante machista e repressor. Verdadeiro ciclope que só enxerga a sua sobrevivência e sai babando de sua toca com sua clave atrás do que lhe seja diferente e, logicamente, ameaçador.

O último lance de dados do conservador primitivo foi o efeito do idiota “impondérado”. Uivos sem sentido de um pensamento conservador que tudo mistura. Em tempos como o que vivemos, sintomático desde junho passado, o pensamento conservador chegou à conclusão leopardiana de que é melhor tudo mudar para que tudo fique como está. Seu último grunhido foi um manifesto por uma direita festiva. Manual da agonia de um conservador que necessita renascer para conservar sua vida.

A imagem parece complexa, mas não é. Se o mundo muda, se as ideias circulam, o que resta ao conservador no mundo histórico? Ou se torna uma relíquia de um tempo que não volta atrás, ou se torna um monstro. O primeiro, é o retrato meio-cômico, meio-sério do que a Folha de São Paulo e Veja divulgaram no pequeno número da Marcha da Família. Vai que cola? Já o monstro é aquele que diz coisas estranhas, aparentemente deslocadas. Monstro é aquele que na fotografia do presente é a figura que não deveria estar ali. E, no entanto, está.

Decerto, há monstros e monstros. Monstros que nos fazem lembrar nossa humanidade e nos apontam para o futuro, como os homens-elefantes de David Lynch. Mas também há os monstros que vêm do passado. Distantes do que o desejo do presente indica, agem como o pior terrorista. Destemidos por auto-conservação, agitam as palavras e as imagens, vociferam encantos pós-modernos de liberdade e ação. E que o bom senso se exploda!

Tudo para gerar um sopro de diferença, marcar território como vira-latas perdidos mijando a esmo no tempo. Procuram assim se reproduzir como um vírus. Promovem uma doença do pensamento na esperança de contagiar em epidemia e desvirtuar o corpo do tempo. Procuram, enfim, bloquear a crítica, cujas aspirações demandam liberdade e novos modos de vida.

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