Carta de despedida à Pio Zamuner

(escrito em janeiro de 2012)

Pio Zamuner morreu. A notícia não diz nada a quase ninguém.

A mim diz muito.

Para os saudosistas do cinema paulistano Pio foi diretor das últimas 12 fitas de Mazzaropi e fotógrafo de dezenas de filmes.

Para mim Pio foi um amigo querido. Último diretor de cinema a habitar a Boca do Lixo, ele fazia parte do mundo que conheci e frequentei na minha juventude. Sempre generoso, foram muitas as tardes de conversa, regadas a cachaça, cerveja ou café. Bem humorado, gostava de lembrar causos saborosos, muitas vezes entendidos pela metade, dado seu sotaque italiano carregadíssimo. Mas por trás de seu sorriso, Pio morria um pouquinho a cada dia, encostado pela arte maldita que tanto amava, esquecido pela cidade que adotara a mais de cinquenta anos como sua.

Na próxima semana faríamos a cópia final de “Piove, il film di Pio”, um filme-homenagem que mostrava um jovem cineasta que tenta dirigir um veterano e acaba sendo dirigido.

Este não era um filme de despedida.

Era um filme de celebração.

Este curta, que para mim era uma alegria, tornou-se um pouco triste.

Sentirei sua falta.

Tchau amigo,

Thiago

(o filme Piove, il film di Pio foi o primeiro filme realizado pelo Coletivo Zagaia. Estreou no cinema em março de 2012 no Festival É tudo verdade).

2 comentários “Carta de despedida à Pio Zamuner

  1. COM CERTEZA ELE FOI DO JEITO QUE MAIS GOSTAVA..FAZENDO PARTE DE UM FILME.
    NADA É POR ACASO…PARA O DIRETOR DO CURTA PODE ATE PARECER ALGO INCABADO…MAS PARA PIO ZAMUNER,FOI O FECHAR DAS CORTINAS QUE TENHO CERTEZA ELE ESPERAVA.

  2. Conheci Pio no inicio de 2016, foi prazeroso, momento esse que esteve em minha cidade Cajati para uma conversa , onde pretendíamos produzir um documentário sobre a cidade que por falta de recursos, acabou nao acontecendo, mas trouxe o privilegio deste encontro

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