“Blues Fúnebres” – Poema de W. H. Auden – Tradução

  Blues Fúnebres                   Tradução: Rodrigo Suzuki Cintra   Parem todos os relógios, calem o telefone, Impeçam o latido do cão com um osso para a fome, Silenciem os pianos e com tambores chamem A vinda do caixão, deixem que os desconsolados clamem.   Que aviões circulem no alto, um voo torto, Rabiscando no céu a mensagem: ele está morto. Que se coloque nos brancos pescoços de pombas coleiras pretas, E os guardas de trânsito usem luvas de algodão negras.   Ele era meu Norte, meu Sul, meu Leste e Oeste, Minha semana de trabalho, um domingo campestre, Meu meio-dia, meia-noite, minha fala, minha canção; Eu pensava que o amor duraria para sempre: eu não tinha razão.   Não me importam mais as estrelas; tirem-as da minha frente, Empacotem a lua, desmantelem o sol quente, Despejem o oceano, tirem as florestas de perto: Pois agora nada mais pode vir a dar certo.       Funeral Blues          W. H. Auden   Stop all the clocks, cut off the telefone, Prevent the dog from barking with a juicy bone, Silence the pianos and with muffled drum Bring out the coffin, let the mourners come.   Let aeroplanes circle moaning overhead Scribbling on the sky the message He is Dead, Put crêpe bows round the white necks of the public doves, Let the traffic policemen wear black cotton gloves.   He was my North, my South, my East and West, My working week and my Sunday rest, My noon, my midnight, my talk, my song; I thought that love would last for ever: I was wrong.   The stars are not wanted now: put out every one; Pack up the moon and dismantle the sun; Pour away the ocean and sweep up the wood; For nothing now can ever come to any good.  

Um comentário em ““Blues Fúnebres” – Poema de W. H. Auden – Tradução

  1. belíssimo e doloroso – perdi meu filho de 19 anos na época e sempre lia de manoel bandeira “poema de finados”, que recomendo, pois ele era um autor tão deprimido quanto eu. Tenho mais 2 filhas, mas choro até hoje pela perda deste meu príncipe. Deixo com vocês um quase poema de minha autoria no pico da minha dor.
    – como dói te saber não mais existente.
    queria ao menos poder te olhar,
    sentir teu jeitinho de bebê
    contar-te que a amplitude do vazio que ficou me faz cair em queda livre no espaço.
    como a beleza ficou pequena.
    sinto-me exausta de tanta dor …

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