AMALFI MANIFESTO

[Escrito em Italiano sob o título “Il manifesto di Amalfi”, na revista Filmcritica (Fevereiro 1968). Traduzido por Eduardo Liron a partir da transcrição em inglês, por impossibilidade de acesso ao original]

Os desenvolvimentos contemporâneos nos estudos teóricos do filme sonoro implicam a necessidade de se tomar posição de partida contra o sistemático abuso da dublagem, que consistentemente compromete os valores expressivos de um filme. Os próprios atores adquirem o hábito da pós-sincronização (geralmente realizada por vozes de outras pessoas) num crescente desapego ao personagem que estão interpretando. As técnicas da dublagem e do uso de bibliotecas de efeitos sonoros privam os filmes do suporte, no plano de um estilo singular, de elementos que deveriam estar integrados a ele, ao mesmo tempo que eles os filmes às manobra e mistificações da parte de produtores e distribuidores, de modo que seu efeito final está imbuído de um caráter ideológico. A pós-sincronização dos filmes italianos, quando não exigida por razões específicas, e a dublagem e tradução de filmes estrangeiros são duas faces de um mesmo problema absurdo e inaceitável… A abolição do uso indiscriminado da dublagem, cuja existência compromete a própria possibilidade de um cinema italiano sonoro, é um aspecto vital da batalha para salvaguardar a pesquisa linguística, para proteger a liberdade de expressão efetiva e para se realizar e se desenvolver um cinema total. Michelangelo Antonioni, Bernardo Bertolucci, Pier Paolo Pasolini, Gillo Pontecorvo, Marco Bellocchio, Vittorio Cottafavi, Vittorio De Sica, Alberto Lattuada, Alfredo Leonardi, Valentino Orsini, Brunello Rondi, Francesco Rosi, Paolo Taviani, Vittorio Taviani

AGRESTE, ou Agrupamento de Estudos Excêntricos, é um rincão virtual para intervenções e instalações de movimentos e pulsões marginais (Precarizadxs, Terroristas, Extrañxs, Messias, Negradas, etc.). No Blog da Zagaia, o periódico AGRESTE mantém uma coluna de traduções.

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